"Acupunctura, homeoterapia, probiótica, fitoterapia..." Quando pensamos em medicina veterinária holística temos tendência a associar este termo à prática exclusiva de terapias alternativas, colocando de lado a medicina veterinária convencional. Apesar de muitas destas terapias serem já conhecidas do domínio público, alguns "mitos" ainda persistem à cerca da sua utilização e eficácia clínica. Regra geral apenas recorremos a elas quando a conhecida medicina convencional "já não dá resposta" ou seja, em "último recurso" e muitas vezes com casos terminais ou de recuperação muito difícil.

A American Holistic Veterinary Medical Association (AHVMA) define a Medicina Veterinária Holística ou Integrada como "(...) a realização da observação e diagnóstico de um animal, tendo em consideração todos os aspectos da vida do mesmo e utilizando todos os sentidos do clínico veterinário, bem como a combinação de modalidades de tratamento convencionais e alternativas (complementares) (...)".

Para nós, mais importante do que classificar a medicina em alopática ou holística, alternativa ou convencional, científica ou não-científica, racionalista ou empirista, ocidental ou oriental é ter a consciência da qualidade de vida que a mesma pode trazer à saúde animal quando praticada com uma abordagem diagnóstica e terapêutica correctas.

Para que conheça um pouco melhor as principais abordagens diagnósticas e terapêuticas holísticas deste serviço, segue um pequeno enquadramento histórico e uma breve explicação dos fundamentos que regem cada uma delas.


MEDICINA TRADICIONAL CHINESA

A acupunctura é uma disciplina da Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a qual teve a sua origem na China Antiga há vários milénios atrás. Desde a segunda metade do século XX a acupunctura sofreu uma rápida difusão em todo o mundo ocidental.

A prática da acupunctura estendeu-se também à Medicina Veterinária, na qual tem sido integrada de forma complementar. A sua utilização como método terapêutico preventivo (profilaxia), curativo (tratamento) ou paliativo generalizou-se em países como os E.U.A., Brasil e em vários países europeus.

A Medicina Tradicional Chinesa possui um método de diagnóstico próprio - o diagnóstico energético - que se baseia principalmente num interrogatório detalhado dos hábitos de vida do paciente, na palpação (energética) dos pulsos, na observação da língua e na palpação de pontos específicos de diagnóstico, o que permite avaliar quais os desequilibrios energéticos presentes no organismo responsáveis pelo aparecimento de estados de doença.

Com a acupunctura veterinária, é possível corrigir desequilibrios nos organismos animais através da aplicação de agulhas de acupunctura em pontos específicos do corpo, os chamados pontos energéticos. Aplicadas nos pontos sobre o trajecto de meridinanos, permitem obter um efeito regulador ao nível dos diferentes sistemas do organismo, nomeadamente nervoso, hormonal e imunitário, promovendo a recuperação de diversas patologias orgânicas (digestivas, respiratórias, dermatológicas, uro-genitais), neurológicas (paralisia, incontinência), comportamentais, imunitárias, hormonais, ortopédicas, musculo-esqueléticas e articulares.

Existem diferentes técnicas e métodos na prática da acupunctura que incluem a punctura simples dos pontos com ou sem a manipulação das agulhas, aquapunctura – administração de substâncias (soro fisiológico, vitaminas, produtos homeopáticos, medicamentos alopáticos convencionais) em pontos de acupunctura, a estimulação eléctrica dos pontos, ou electroacupunctura e a estimulação dos pontos de acupunctura com laser, denominada laseracupunctura.

Uma outra forma de agir sobre os pontos de acupunctura é através da aplicação de calor. Esta técnica tem o nome de moxabustão e a forma mais comum de a realizar em animais usando um “charuto” de Artemisia. O calor pode ser aplicado directamente sobre o ponto ou sobre o cabo da agulha de acupunctura colocada no ponto desejado.

A fitoterapia é outra disciplina muito importante em MTC. Preparações de extratos principalmente vegetais, têm uma acção energética sobre os meridianos ou os orgãos que se pretenda equilibrar. As preparações fitoterápicas estão geralmente disponíveis em gotas ou comprimidos para administração oral, ou em creme para aplicação tópica sobre a pele.


MEDICINA BIOLÓGICA

A medicina biológica é outra designação integrada na medicina holística.

A medicina biológica não pretende produzir uma supressão dos sintomas das doenças (o que "engana" o organismo ao fazê-lo "pensar" que já não está doente) mas sim modular a sua intensidade, enquanto promove as respostas fisiológicas necessárias para que o próprio organismo animal possa combater as causas da doença e obter a cura.

A homotoxicologia e a probiótica são dois exemplos de terapêuticas integradas na medicina biológica.

A homotoxicologia nasceu na Alemanha, em 1969, pelo médico Dr. Hans Reckeweg e basea-se nos princípios da medicina hipocrática e da homeopatia clássica de Hannemann. Uma das principais vantagens da homotoxicologia é concilar a abordagem alopática (convencional) e a abordagem holística no diagnóstico e tratamento de doenças. A sua terapêutica basea-se no uso de produtos homeopáticos.

A probiótica constitui uma abordagem nutracêutica na regulação de certos aspectos do organismo. O intestino dos animais aloja uma flora bacteriana variada e numerosa, muito importante para um intestino funcional e para um bom sistema imunitário geral de defesa contra as infecções. Várias patologias podem ser melhoradas com o recurso a uma terapia probiótica adequada e à instituição de uma higiene alimentar e intestinal.


MEDICINA CONVENCIONAL


A medicina veterinária convencional pode igualmente ser designada por alopática. Hoje em dia, de uma forma geral, não é praticada segundo uma filosofia holística mas pode ser usada para ajudar a ver os pacientes nessa perspectiva. Análises clínicas, biópsias, radiologia, ecografia, etc podem ajudar-nos a ver "à transparência" e a confirmar algumas hipóteses diagnósticas. Além disso, um interrogatório detalhado da anamnese, história clínica e hábitos de vida e um exame físico atento, pormenorizado e detalhado deviam já por si dar uma perspectiva "holística" do paciente com a sua patologia.

Por ser útil na abordagem de algumas patologias através do uso de certos medicamentos específicos, por permitir uma abordagem preventiva (profilaxia) de certas patologias através da criação de programas de saúde pública e saúde animal e pelos seus avanços em cirurgia, foi conquistando um lugar previligiado e uma forte aceitação nas sociedades ocidentais a partir do início do século XX.

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