A maior parte dos casos clínicos dos animais que recorrem a este serviço são situações crónicas, para as quais os tratamentos anteriormente efectuados não ofereceram os resultados mais satisfatórios. O nosso sucesso com estes animais reflecte-se principalmente na resolução e/ou controlo destas situações e melhoramento da sua qualidade de vida.
Para além destes casos, tratamos também animais com doenças agudas, sequelas neurológicas (paralisias) de traumatismos, problemas de controle de peso (obesidade) e animais geriátricos, para os quais os seus donos querem melhorar a qualidade de vida. Na saúde há sempre algo mais que se pode fazer, um contributo a dar para melhorar a qualidade de vida nos nosso pacientes e dos seus donos.
Apresentamos de seguida uma selecção de animais e dos seus casos por nós abordados com sucesso.
CASO I - HIGROMA
O higroma consiste numa bolsa cheia de líquido seroso que ocorre geralmente na região do cotovelo, sobre a face lateral da articulação. Surge na sequência de traumas sucessivos desta região do corpo contra superfícies duras, em animais jovens com a pele sensível, ou quando é exercida pressão excessiva sobre esta articulação em animais adultos com patologias ortopédicas. O tratamento consiste em eliminar a causa que provoca a formação/ acumulação do líquido. Apenas em último caso, quando ocorre infecção ou formação de cápsula fibrosa, é recomendada a drenagem e a cirurgia, complementada com a administração da antibioterapia mais adequada. As dificuldades pós-cirúrgicas na cicatrização e as recidivas frequentes fazem do higroma uma situação crónica e de difícil resolução.
O Nosso Caso - Canídeo, sexo maculino, castrado, raça indeterminada, idade estimada de 10-12 anos, 38kg. Diagnóstico anterior de displasia da anca.
Higroma no membro anterior direito, sobre o cotovelo, com aumento constante das dimensões durante um mês, seguido de ulceração com saída de líquido purulento (pús) e formação de cápsula fibrosa. Consulta num hospital veterinário onde foi aplicada uma ligadura de protecção e receitado antibiótico durante 15 dias. Após um mês recorreram ao nosso serviço. Estavam a aplicar diariamente um gel anti-inflamatório no local para redução da dor e da inflamação, e o higroma apresentava o aspecto da Figura1-A, onde se evidência uma zona de ulceração sobre a face interna do membro anterior direito, com drenagem contínua de líquido sero-hemorrágico.
Após a avaliação clínica do animal foi suspensa a administração do gel anti-inflamatório e durante o dia começou a usar uma cotoveleira de protecção almofadada. Optou-se por uma abordagem terapêutica com acupunctura e homotoxicologia. O protocolo terapêutico escolhido consistiu em sessões semanais de acupunctura e administração injectável de terapêutica homeopática. Após 8 semanas de tratamento os resultados são visívies através da diferença de dimensões que o higroma apresentava inicialmente (ver Figura1-B) e no final do tratamento (ver Figura1C). Verificou-se também o encerramento da zona de ulceração. Dois meses após a última sessão o animal foi reavaliado tendo-se verificado a resolução completa da situação.
Apesar dos bons resultados terapêuticos, as recidivas são possíveis desde que a causa traumática que desencadea o processo se verifique. Para evitar estes episódios, recomendou-se o uso regular de uma cotoveleira e um acompanhamento no maneio da dor e da mobilidade associada à displasia da anca para minimizar a ocorrência de episódios recidivantes do higroma.
CASO II - OSTEOARTRITE
O termo osteoartrite refere-se à doença articular degenerativa não-inflamatória e não-infecciosa. Pode ser primária ou secundária. A forma secundária é a mais comum e surge como resposta à presença de outra doença inicial (exs: fracturas, ruptura do ligamento cruzado do joelho ou displasia da anca ). O sinal clínico mais importante é a claudicação (coxear) mas também se observa diminuição na amplitude dos movimentos, dor à palpação e alterações radiográficas características. A osteoartrite é uma doença progressiva, debilitante e para o tratamento é importante identificar a doença primária que lhe deu origem e tratá-la. De um modo geral o controlo do peso e dos níveis de actividade física são aspectos importantes do tratamento.
O Nosso Caso - Canídeo, sexo feminino, esterilizada, raça Golden Retriever, idade 12 anos, 30kg. Diagnóstico radiológico de osteoartrite da articulação coxo-femoral, secundária a displasia da anca. Ver Figura2-A. Fazia controlo de peso com ração comercial de gama alta e também protectores articulares. Os episódios dolorosos eram controlados com medicamentos veterinários antiinflamatórios.
Recorreu à nossa consulta na sequência de episódio doloroso incapacitante que não melhorava com a medicação anti-inflamatória. Após o diagnóstico energético foi elaborado um protocolo terapêutico baseado em acupunctura, com sessões inicialmente bi-semanais passando depois a semanais, administração injectável de produtos homeopáticos e fisioterapia. Foi dado aconselhamento sobre o grau e tipo de actividade física permitidos. Para além disso manteve-se a dieta para controlo do peso e a administração de condroprotectores via oral. Os resultados foram visíveis logo após a primeira semana e após 4 semanas a rigidez articular estava diminuida, a amplitude de movimentos aumentada e a dor associada estava controlada.
CASO III - SÍNDROME VESTIBULAR GERIÁTRICA
A Síndrome Vestibular Geriátrica é uma patologia que afecta cães com uma idade média de 12,5 anos e pensa-se que está relacionada com a inflamação/degenerescência do nervo craneano vestibular (NC VIII) que liga o ouvido interno ao cerebelo. Surge de forma súbita e uma vez que estes orgãos são responsáveis pelo equilibrio e pela orientação espacial do animal, os sintomas mais frequentes são desvio da cabeça, dificuldade em manter o equilibrio (ataxia), quedas, movimentos ritmicos do globo ocular (nistagmos) e também náuseas, vómitos e falta de apetite (anorexia). A fase aguda da patologia pode ter a duração mínima de 2 dias até cerca de 2 a 3 semanas. Na maioria dos animais, durante estas semanas, a recuperação ocorre progressivamente até um limite determinado, podendo permanecer sequelas crónicas como tremores ou desvio da cabeça. A terapêutica em medicina convencional consiste em cuidados de suporte de vida.
O Nosso Caso - Canídeo, sexo maculino, castrado, raça indeterminada, idade estimada de 10-12 anos, 38kg. Episódio súbito de desvio da cabeça, ataxia, quedas, náuseas e vómitos. Após efectuado o diagnóstico de Síndrome Vestibular Geriátrico num hospital veterinário foi medicado para o controlo dos vómitos e também soro endovenoso por 48h e antibiótico durante cerca de 15 dias. Após 15 dias de terapêutica a recuperação foi mínima.
Recorreram à nossa consulta e observámos desvio acentuado da cabeça, ataxia com desequilibrio na marcha a direito e em plano horizontal, quedas esporádicas e náusea. Estado geral debilitado. Foi realizado um diagnóstico energético do animal que revelou desequilíbrios compatíveis com a patologia manifestada. A Síndrome Vestibular Geriátrica é interpretada em Medicina Tradicional Chinesa como uma patologia de Vento e está relacionada com desequilibrios energéticos ao nível dos orgãos Baço, Rim e Fígado.
No protocolo terapêutico escolhido foi efectuada a punctura simples dos pontos seleccionados, durante cerca de 20 minutos, com a frequência de uma vez por semana durante 2 meses, seguido de uma vez em cada duas semanas durante mais 3 meses e posteriormente uma sessão mensal durante 7 meses.
Após a primeira sessão os resultados foram visíveis apresentando o animal melhoria do estado geral, diminuição do grau de inclinação da cabeça, equilibrio durante a marcha a direito e em plano horizontal, ausência de quedas e de sinais gastrointestinais agudos. Até ao final das sessões referidas todos os sintomas desapareceram. Após um ano continuava estável, sem ocorrência de novo episódio, apresentando apenas, por vezes, um ligeiro desvio da cabeça transitório quando submetido a situações de stress ou ansiedade.
CASO IV - DERMATOFITOSE
A dermatofitose é uma infecção da pele provocada por fungos. Os principais agentes responsáveis são o Microsporum canis, o Trichophyton mentagrophytes e o Microsporum gypseum. O aspecto circular das zonas de alopécia é característico e sinais como descamação, eritema, hiperpigmentação e prurido são variáveis. Doenças ou medicação que provoquem imunossupressão (diminuição da imunidade) constituem factores de risco para o aparecimento dos sinais clínicos da doença. Perante os potenciais efeitos secundários, que incidem em particular sobre o fígado, decorrentes da medicação anti-fungica oral, recomenda-se o controlo de alguns parâmetros sanguíneos.
O Nosso Caso - Canídeo, sexo feminino, esterilizada, raça Malamute do Alasca, idade indeterminada >8 anos, 35kg. Apresentava no momento lesões eritematosas circulares, de aspecto característico, que haviam sido diagnosticadas desde à cerca de 2 anos como dermatofitose. As manifestações clínicas eram cíclicas e constantes ao longo do ano. A proprietária aplicava uma loção com base de gel de aloé vera e óleos essenciais, com a qual controlava os episódios agudos.
Efectuado o diagnóstico do animal, foi instituido um protocolo de homotoxicologia e suplementação alimentar com nutrientes essencias. Após 4 semanas de tratamento a frequência dos episódios agudos diminuiu até ao seu desaparecimento e a manifestação clínica da patologia foi controlada. O pelo ficou mais brilhante e espesso. Desde então, manteve-se a suplementação nutricional com um multivitaminico e não se verificaram novos episódios agudos da doença.



